Com ingressos esgotados, NEOJIBA retorna ao TCA em homenagem ao centenário de Roberto Santos
- 21 set, 2026

Após quatro anos, Orquestra NEOJIBA e coros do programa voltaram à Sala Principal em uma noite marcada por música, memória e emoção
Com ingressos esgotados e a Sala Principal do Teatro Castro Alves (TCA) lotada, o NEOJIBA — Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia — viveu, no dia 18 de setembro, uma noite histórica. Após quatro anos longe daquele palco, o programa retornou ao TCA para celebrar o centenário de nascimento de Roberto Santos (1926–2021), professor, médico, ex-governador da Bahia e presidente do Conselho do IDSM, Organização Social responsável pela gestão do NEOJIBA.
Sob a regência do maestro e pianista Ricardo Castro, a Orquestra NEOJIBA, o Coro Juvenil, o Coro Infantojuvenil e o Coro Comunitário conduziram o público por um repertório ligado à trajetória e às preferências musicais do homenageado. O concerto começou com o coro “Aleluia”, de Händel. Em seguida, a “Abertura Acadêmica”, de Brahms, fez referência à vida universitária de Roberto Santos e à sua atuação como reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA). O programa também reuniu obras de Mozart e do compositor suíço-baiano Ernst Widmer. No encerramento, Ricardo Castro assumiu simultaneamente o piano e a regência da “Fantasia Coral”, de Beethoven.
Antes da última obra, o maestro compartilhou com o público lembranças da amizade com Roberto Santos. A relação entre os dois começou ainda na infância de Ricardo Castro, pois o ex-governador era amigo de seus pais. Ao falar sobre os diferentes tipos de amizade, o maestro definiu o vínculo que os unia: “A amizade por virtude, segundo Aristóteles, é a amizade verdadeira. Os amigos admiram o caráter e a bondade um do outro. Eles desejam o bem um do outro de forma sincera e desinteressada, pelo que o outro é na sua essência. Esta foi a amizade entre nós e entre Roberto Santos e o NEOJIBA.”
Ricardo Castro também recordou uma visita de Roberto Santos à sua casa, na Suíça, no início de sua vida fora do Brasil. Na ocasião, o ex-governador fez um pedido simples e carregado de significado: “Ricardo, toca a Patética”. Décadas depois, o pedido voltou a ecoar. Sozinho ao piano, Ricardo Castro interpretou novamente a “Sonata Patética”, de Ludwig van Beethoven. O momento comoveu a plateia e transformou a música em uma lembrança viva da amizade entre os dois.
A relação entre o repertório e a trajetória do homenageado também chamou a atenção do público. O doutorando em Música Guilherme Davino destacou o cuidado presente na escolha das obras: “Eu não sabia que o Roberto tinha essa ligação com o maestro. Achei muito carinhosa a escolha das peças, especialmente a obra de Ernst Widmer, porque cria uma conexão maior com a gente. E as outras obras, como o ‘Aleluia’ e a ‘Fantasia Coral’, foram belissimamente interpretadas. Gostei muito da apresentação.”
Para Ramon Miranda, que assistiu ao NEOJIBA pela primeira vez, a experiência foi marcada pela força da apresentação: “Foi a primeira vez que vi, achei fantástico. A energia dessa orquestra é de emocionar. Fiquei muito feliz de ter presenciado isso hoje. Foi bom demais!”
Música, amizade e formação
A homenagem evidenciou a relação construída entre Roberto Santos, Ricardo Castro e o NEOJIBA ao longo dos anos. Para a família do ex-governador, esse vínculo foi marcado pelo incentivo dado por Roberto Santos à trajetória do maestro.
Cristiana Santos, filha do homenageado, relembrou um dos episódios que simbolizam essa amizade:“Meu pai acreditou no Ricardo desde o início. Quando pediu a ele uma peça para interpretar, aquele gesto significou, para o Ricardo, que meu pai acreditava no potencial dele. Foi algo simples, mas muito marcante. Acho que, de certa forma, é isso que o Ricardo faz todos os dias com o NEOJIBA: com sensibilidade, transforma pequenos gestos em algo grandioso. Para nossa família, é um orgulho ver esse projeto celebrar os 100 anos do meu pai. Somos muito gratos ao NEOJIBA e ao Ricardo por essa homenagem e por construírem um projeto que é orgulho da Bahia e que ganhou o mundo.”
O retorno ao TCA também teve um significado especial para os integrantes do programa. Diante da casa cheia, alguns músicos e cantores subiram pela primeira vez ao palco que antes conheciam apenas da perspectiva da plateia. Naum Souza, integrante do Coro Juvenil do NEOJIBA, contou como viveu esse momento:“Para a gente que é cantor e faz parte de um projeto como o NEOJIBA, ter esse reconhecimento como aluno é muito especial. E voltar ao palco do TCA foi incrível. Foram muitos anos sem estar aqui e, para mim, foi a primeira vez no palco, porque antes só tinha estado na plateia. Ver todas aquelas pessoas e cantar para elas, sentir essa energia, foi surreal. Não tenho nem palavras para descrever.”
Ao fim do concerto, o público se levantou para aplaudir músicos e cantores. Mais do que marcar o retorno do NEOJIBA à Sala Principal do TCA, a noite celebrou o legado de Roberto Santos e reuniu, por meio da música, diferentes gerações ligadas à história do programa.
Sobre o NEOJIBA
Criado em 2007, o NEOJIBA — Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia — promove o desenvolvimento e a integração social, prioritariamente de crianças, adolescentes e jovens em situação de vulnerabilidade, por meio do ensino e da prática musical coletiva.
Mantido pelo Governo do Estado da Bahia e gerido pelo Instituto de Desenvolvimento Social pela Música (IDSM), o programa já beneficiou, em seus 19 anos de atuação, mais de 42 mil crianças, adolescentes e jovens. Atualmente, beneficia, direta e indiretamente, mais de 8.300 pessoas desse público.