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Centenário de Roberto Santos celebra trajetória dedicada à ciência, educação, saúde e desenvolvimento da Bahia

  • 15 set, 2026

Médico, professor, ex-reitor da UFBA, governador da Bahia e ministro da Saúde, Roberto Santos completaria 100 anos em 15 de setembro de 2026; sua trajetória também está ligada à história do NEOJIBA

O ano de 2026 marca o centenário de nascimento de Roberto Figueira Santos, uma das personalidades de maior destaque na vida pública, acadêmica e científica da Bahia no século XX. Nascido em Salvador, em 15 de setembro de 1926, Roberto Santos construiu uma trajetória que atravessou a medicina, a educação, a ciência e a política, ocupando funções como reitor da Universidade Federal da Bahia (UFBA), governador da Bahia, presidente do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ministro da Saúde e deputado federal. Ele faleceu em Salvador, em 9 de fevereiro de 2021, aos 94 anos.

Filho do médico e educador Edgard Rego dos Santos, primeiro reitor da UFBA e personagem fundamental para a consolidação da Universidade, e de Carmem Figueira Santos, Roberto seguiu ainda jovem o caminho da medicina e da vida acadêmica. Formou-se pela Faculdade de Medicina da Universidade da Bahia em 1949 e, nos anos seguintes, aprofundou sua formação no exterior. Entre 1950 e 1953, especializou-se em Clínica Médica nas universidades de Cornell, Michigan e Harvard, nos Estados Unidos. Posteriormente, entre 1954 e 1955, realizou estudos em Medicina Experimental na Universidade de Cambridge, na Inglaterra.

De volta ao Brasil, consolidou uma extensa carreira como médico, pesquisador e professor da UFBA. Em 1967, chegou a ocupar brevemente a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia, antes de assumir a Reitoria da UFBA, cargo que exerceu entre 1967 e 1971, seguindo, anos mais tarde, os passos do pai. Sua atuação no campo da educação ultrapassou as fronteiras da Universidade: presidiu a Associação Brasileira de Educação Médica e o Conselho Federal de Educação, além de participar de organismos dedicados ao desenvolvimento do ensino superior.

Da universidade à vida pública

A trajetória de Roberto Santos passou a conviver, a partir da década de 1970, com uma participação cada vez mais intensa na administração pública. Entre 1975 e 1979, foi governador da Bahia, período em que sua gestão teve iniciativas nas áreas de educação, saúde, infraestrutura e desenvolvimento social. Entre as realizações daquele período estão a implantação de Centros Sociais Urbanos em diferentes regiões do estado, a expansão da rede educacional e a construção do então Centro de Convenções da Bahia, em Salvador.

Nos anos seguintes, continuou exercendo funções de alcance nacional. Foi presidente do CNPq entre 1985 e 1986 e, em fevereiro de 1986, assumiu o Ministério da Saúde, durante o governo de José Sarney, permanecendo no cargo até 1987. À frente da pasta, defendeu maior integração do sistema de saúde e atenção a áreas como prevenção de doenças, imunização, saneamento e nutrição, em um momento decisivo das discussões que antecederam a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).

Roberto Santos também representou o Brasil no Conselho Diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) e, em 1994, foi eleito deputado federal pela Bahia, exercendo mandato entre 1995 e 1999. Paralelamente à vida pública, manteve sua atuação intelectual. Publicou dezenas de trabalhos e livros, especialmente nas áreas de medicina, pesquisa e educação médica, e integrou instituições como a Academia Nacional de Medicina e a Academia de Letras da Bahia.

Roberto Santos e o NEOJIBA

Nas últimas décadas de sua vida, Roberto Santos também colocou sua experiência e seu prestígio institucional a serviço de iniciativas voltadas à educação, à ciência e à cultura. Entre elas esteve o NEOJIBA – Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia, programa criado em 2007 pelo maestro e pianista Ricardo Castro.

Sua participação foi além da condição de admirador e apoiador. Roberto Santos presidiu, desde 2008, o Conselho de Administração do Instituto de Ação Social pela Música (IASPM), entidade responsável pela gestão do NEOJIBA. Durante mais de uma década, acompanhou de perto o desenvolvimento do programa e participou de momentos importantes de sua trajetória. Em 2019, aos 92 anos, deixou a presidência do Conselho e tornou-se Presidente de Honra, cargo vitalício criado em reconhecimento à sua atuação junto à instituição.

Essa aproximação reunia dimensões que atravessaram toda a vida de Roberto Santos: educação, formação de novas gerações, cultura e compromisso com o desenvolvimento social.

Roberto Santos permaneceu como Presidente de Honra até sua morte, em 9 de fevereiro de 2021.

Um legado que atravessa gerações

Ao completar-se o centenário de seu nascimento, a trajetória de Roberto Santos se revela um ser humano que transitou por diferentes campos da vida brasileira sem abandonar uma preocupação central com a formação e o conhecimento. Da sala de aula à Reitoria da UFBA, da pesquisa científica ao Ministério da Saúde, do Governo da Bahia ao NEOJIBA, apoiando a formação musical de crianças, adolescentes e jovens. Sua história sempre esteve ligada a ações e instituições que ajudaram a transformar a sociedade baiana.

Para o NEOJIBA, celebrar os 100 anos de Roberto Santos é também reconhecer uma parte de sua própria história. Presidente do Conselho de Administração e, posteriormente, Presidente de Honra do instituto gestor, Roberto Santos acompanhou a consolidação do programa e emprestou sua experiência e seu apoio institucional a uma iniciativa baseada em um princípio que dialogava diretamente com sua trajetória: a educação como instrumento para ampliar horizontes e construir novas possibilidades para as futuras gerações.

 


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