Filarmônicas na Bahia

Publicado em: 29/06/2017
#post01 - Filarmônica Minerva Cachoeirana

Você sabe quais as diferenças entre as Bandas Filarmônicas, tão comuns na Bahia, e as Orquestras Sinfônicas?

Historicamente, as Bandas Filarmônicas da Bahia surgiram por iniciativa da sociedade civil para fundar um centro cultural em sua cidade, um espaço para vivenciar a cultura e para uma prática musical coletiva. São bandas formadas por instrumentos de sopro e percussão que têm uma boa projeção sonora e mobilidade. “Estes instrumentos possibilitam às bandas exercerem uma das suas principais características: tocar ao ar livre, seja em praças, em eventos cívicos da cidade, entre outros locais”, explica o maestro Helder Passinho Junior, do NEOJIBA. As Bandas Filarmônicas também assumiram a função do ensino da música em suas cidades. “São as mais antigas e tradicionais escolas de música da Bahia”, completa o maestro.

Já a Orquestra Sinfônica contempla em sua formação instrumentos de cordas, além de instrumentos de sopros com sonoridade mais restrita, a exemplo de fagotes e oboés. Quanto ao repertório, tanto as Orquestras Sinfônicas como as Bandas Filarmônicas podem apresentar obras populares e eruditas. De uma forma geral, é possível perceber que a maior parte do repertório apresentado pelas Bandas Filarmônicas é voltado para a marcha e comemorações cívicas, enquanto que as Orquestras Sinfônicas apresentam, na maioria das vezes, obras de compositores mundiais eruditos. Estas obras requerem condições acústicas específicas para soarem tal como foram escritas. Por isso, apesar de também se apresentarem em locais abertos, as Orquestras Sinfônicas são mais propensas às salas de concerto.

Orquestra Juvenil da Bahia no Teatro Castro Alves em 2016 | Foto: Lenon Reis/NEOJIBA

Orquestra Juvenil da Bahia no Teatro Castro Alves em 2016 | Foto: Lenon Reis/NEOJIBA

Filarmônicas: ontem e hoje

A história das bandas de música no Brasil data desde a época da colônia, mas a tradição musical de bandas começou mesmo a se formar a partir do século XIX, com a chegada de Dom João VI. Na Bahia, de acordo com Gilmar de Faro Teles, presidente da Federação das Bandas Filarmônicas da Bahia (FEBAF), novas bandas passaram a surgir ao longo dos séculos XIX e XX, fundadas por músicos, coronéis, instituições e sociedade de uma maneira geral. “Este trabalho de criação de filarmônicas continua. Hoje, nós temos no Estado, por exemplo, filarmônicas com mais de cento e cinquenta anos e outras que nem completaram uma década”.

Parceira da Rede de Projetos Orquestrais da Bahia, a Filarmônica 30 de Junho, de Serrinha, foi fundada em 1896

Parceira da Rede de Projetos Orquestrais da Bahia, a Filarmônica 30 de Junho, de Serrinha, foi fundada em 1896

Segundo dados da FEBAF, existem mais de 180 filarmônicas ativas na Bahia, número que pode ser ampliado, já que este levantamento da Federação ainda está em andamento. A estimativa é de cerca 14 mil pessoas, entre alunos e músicos, estejam envolvidas diretamente nas atividades. Para Teles, a tradição e o amor às filarmônicas mantêm esse trabalho vivo. “São pessoas que gostam de música e/ou que tiveram amigos ou familiares como integrantes de filarmônicas no passado”.

Uma das características históricas mais marcantes das Bandas Filarmônicas na Bahia é o trabalho educativo musical. Os mestres e professores assumem esse papel de ensinar a técnica a novos músicos instrumentistas. “Geralmente, há uma escola de música associada ao trabalho da filarmônica. Nossa maior missão é ensinar”, conta Teles. Para ele, a música possibilita diversos benefícios à comunidade. “Um deles é dar uma oportunidade de trabalho e estudo para esse aluno, tirar ele das ruas. Nós buscamos formar jovens na música, mas também há esse trabalho complementar de cunho social, de modificar as vidas a partir do ensino e vivência da música”.

Filarmônica 2 de Janeiro, de Jacobina, atualmente

Filarmônica 2 de Janeiro, de Jacobina, atualmente

A FEBAF foi fundada em agosto de 2013, com o objetivo de representar as bandas filarmônicas da Bahia e, por meio dessa representatividade, buscar nas diferentes esferas federal, estadual e municipais recursos para melhorar a gestão e atender às demandas de cada banda do Estado. “Juntos nós somos mais fortes”, completa Teles.

Filarmônica 4 de Janeiro (Itiúba)

A Filarmônica 4 de Janeiro, de Itiúba, completou dez anos em 2017. Fundada pelo maestro Egnaldo Paixão, o grupo tem a educação como base. Nasceu formada por alunos da Escola Municipal de Música Mestre Bugué, criada dois anos antes pela prefeitura, a partir de um projeto apresentado por Egnaldo. Na época, eles tinham acabado de conseguir 31 instrumentos.

Hoje, 43 músicos integram a banda principal, tendo o músico mais novo 6 anos de idade e o mais velho, o próprio maestro, 73 anos. A escolinha também cresceu e, com cerca de 80 alunos, funciona em dois bairros de Itiúba. Lá, eles aprendem teoria musical, técnica instrumental e prática de filarmônica. Tudo é oferecido de maneira gratuita.  Associados à escola e à filarmônica, há o coral, a Filarmônica Mirim 4 de Janeiro e o quinteto de clarinetas Estevam Moura, uma homenagem ao importante compositor baiano.

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